BLOG DO SANTO ANDRÉ FUTEBOL CLUBE

De 18/09/1967 até 22 de março de 1975 foi o nome do Esporte Clube Santo André

domingo, 1 de dezembro de 2013

Time de 1968 destacado por Enir

Uma das figuras mais queridas do time do Santo André FC, Enir Ghirelli esteve presente desde a fundação do time até a inauguração do Estádio Municipal em 1969. Figura carismática e divertida, conta boas histórias da época.

Enir também é muito sincero. Nessa entrevista, ele destaca os atletas da época. Vale a pena ouvir...

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Marcelo Alves Bellotti

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Santo André - 460 anos de História

Hoje é aniversário da cidade. Data para relembrar histórias fantásticas e pessoas ilustres que ajudaram a construir essa história.

A história da cidade se confunde com a do time de futebol e com a história de uma figura ilustre do esporte Andreense. A do senhor Wigand Rodrigues dos Santos.

Hoje vou apenas relatar a história do primeiro jogo do Santo André contada pelo seu protagonista em uma entrevista concedida em 2010 no tradicional bar do Mazinho...

Como foi a formação do time do Santo André?

A história é longa, Santo André sempre teve um futebol amador muito forte, havia bairros com cinco ou seis agremiações esportivas amadoras, mas não tinha uma representação de futebol profissional e nem tradição no profissionalismo, diferente de outras cidades do Estado como Santos que tinha o próprio Santos, a Portuguesa Santista, o Jabaquara... Ribeirão Preto que tinha o Comercial, Botafogo... Campinas com Ponte Preta e Guarani... Santo André não tinha uma representação profissional.

Eu fui eleito presidente da Liga (Liga Santoandreense de Futebol) e tinha a consciência dessa lacuna na cidade no que diz respeito ao futebol. Fizemos um bom trabalho na Liga Santoandreense de Futebol, criamos mais de 100 clubes, os ajudamos a se reorganizarem burocraticamente junto aos poderes constituídos (Federação). Naquele tempo tinha Alvará de Funcionamento Desportivo que era obrigatório e tinha que tirar em São Paulo.

O primeiro campeonato que nós dirigimos na Liga reuniu quase cem clubes amadores. Eram campeonatos principais e aspirantes, porque a Federação Paulista também determinava a existência da representação de Aspirantes. Então as cem equipes principais mais as aspirantes formaram quase duzentas equipes de futebol na cidade. Isso para jogar nos domingos. A decisão demandou uma quantidade de campos muito grande.

Essa efervescência na Liga de Futebol era tão grande que o trânsito chegava a parar na Rua Gertrudes de Lima nos dias de acerto de jogo, tal a quantidade de dirigentes de clubes amadores que lá compareciam.

E o assunto quando se discutia futebol profissional e que não envolvia interesse imediato dos clubes era exatamente sobre a não existência de uma representação profissional na cidade de Santo André. 

Foi por isso que, ouvido os desportistas da cidade, nós publicamos no boletim oficial da Liga uma carta aberta a todos os desportistas da cidade lamentando a inexistência de uma representação e propondo a fundação de um clube que levasse o nome da cidade. Complementamos que seria usado como o distintivo, em cima do coração o brasão do município e o nome “Santo André”!

Assim convocamos uma assembléia no Tiro de Guerra, gentilmente cedida pelo seu comandante à época. Lá comparecemos e juntamente com cerca de trezentos representantes de clubes amadores.

Nessa Assembléia foi aprovada fundação do clube, o projeto de estatuto do clube, foi eleito o primeiro conselho deliberativo com cinqüenta e um presidentes de clubes amadores, que foi o primeiro conselho deliberativo do Santo André. Nome do presidente e nome da agremiação. Temos nesta ata também lá no clube. Foi assim que fundamos o Santo André, de uma forma totalmente diferente do que já houve no Brasil. Não foi por obra e graça do Espírito Santo que “deu na telha” para se formar um clube de futebol profissional.

Eu fui um instrumento de uma vontade popular. A vontade que existia naquele momento no seio da Liga de Santo André, dos clubes amadores de Santo André. Foi assim que fundamos o Santo André... Elegemos como presidente o Doutor Newton da Costa Brandão, e aqui precisa abrir um parênteses porque ele era político e nós achávamos que ele deveria ser o novo presidente do clube e mantínhamos essa posição porque acreditávamos que ele se elegeria prefeito, como de fato se elegeu. E como prefeito procurou ajudar o Santo André na medida do possível e depois com a cessão da área do Distrital do Jaçatuba, onde temos um clube maravilhoso. Então assim elegemos o Doutor Brandão como o primeiro presidente, eu aceitei a ficar na chapa como Vice e com a diretoria formada nós começamos os treinamentos lá no campo da Laminação Nacional de Metais.

Escolha do primeiro amistoso: Santos Futebol Clube

A Diretoria do Santo André deliberou fazer uma apresentação oficial do Santo André para a cidade, sua população e seus desportistas. Por intermédio do Nestor Pacheco Junior (já falecido) que tinha um alto conceito com o time do Santos, pois fora diretor do Santos também, foi acertado um amistoso aqui no estádio Américo Guazzelli, o campo do Corinthinha que nós chamávamos, onde seria apresentado o time do Santo André.

Nesse jogo amistoso o Pelé compareceu com a dona Rose, no dia do aniversário da cidade de Santo André, dia oito de Abril de 1968 e houve então a partida de futebol onde o Santo André saiu vitorioso por dois tentos a um, sendo o primeiro gol marcado pelo Enir Ghirelli. Foi assim a primeira apresentação do time, com o estádio Américo Guazzelli lotado, a polícia teve até que impedir o acesso no estádio, pois a participação popular foi muito grande, e ganhamos de dois a um. Isso para início de conversa foi até muito bom porque ganhar do Santos não era fácil, naquela época eram imbatíveis. 

Como foi o clima na cidade para receber o Santos no primeiro jogo do time profissional

Nós recebemos o apoio indescritível da mídia local, da imprensa. Naquele tempo o News Seller, que ainda não havia se transformado no Diário do Grande ABC, deram toda a cobertura do evento em Santo André. A expectativa foi muito grande porque era o noviciado do Santo André jogando contra o Santos... Esperava-se até goleada (desfavorável). Mas o time do Santo André se portou com dignidade e com brio em campo, igualou a partida e ganhamos de dois tentos a um, gols do Enir e do Zezé, que era jogador do Santo André e o gol do Santos foi feito pelo Negreiros, num escanteio batido pelo Pepe. O fato é que a cidade botou fé... Até mesmo os pessimistas botaram fé que havia possibilidade de se manter um time de futebol profissional na cidade.

O zagueiro Anisio lembrou... "Nós tínhamos mais jogadores experientes como o Zezé, o Dorival que era o goleiro, o Zezé teve uma importância fundamental ainda mais com o pessoal que era amador em santo André, procurou acalmar a todos, sabendo da importância do jogo, o primeiro da história do Santo André e que eles deveriam jogar naturalmente como se estivessem jogando com um time amador ou qualquer outro time, sem maiores problemas onde se ganhasse ótimo, mas se perdêssemos, não seria nenhuma desonra.  Felizmente deu certo!"

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 30 de março de 2013

Estréia de Tulica no Ramalhão

Estávamos no período de início do ano de 1974 e o Santo André FC se preparava para o início da preparação de um grande time, que no ano seguinte se sagraria campeão Paulista da Primeira Divisão (segundo nível).

O começo foi difícil, pois em 1973 após uma crise de falta de dinheiro trouxe a ameaça de não disputa da primeira divisão pela ausência de um estádio compatível. Houve o risco do time deixar de existir. O presidente da época, Jose Amazonas, um próspero empresário da região já não estava mais disposto a tocar o time sem apoio da prefeitura, o que significava a conclusão do estádio. Em uma declaração ao Diário do Grande ABC, o mandatário Andreense decretou:

"Se não apresentei nenhuma ideia capaz do prefeito (Antônio Pezzolo) julgá-la possível de ser transformada a culpa não me cabe. Aliás ninguém apresentou nenhuma ideia a não ser a extinção do profissionalismo e a manutenção da equipe de juvenis preparando-se para 75 quando o Estádio está complementado para receber grandes públicos."

Nessa hora, novamente o sr Wigand Rodrigues agora funcionário público, administrador do Estádio Municipal Bruno José Daniel, levantou a sua voz e declarou: "Santo André não pode ficar sem um representante no futebol profissional e como não apareceu ninguém disposto a substituir o Dr. Amazonas decidi aceitar." O dirigente ainda ressaltou que não tinha a mesma condição econômica de José Amazonas, mas decretou: "Sempre achei que o que leva um clube a ser grande é a força popular. Não adianta termos "perfumados" apenas para preencher cargos que o "povo" sabe utilizar".

Wigand foi eleito por aclamação e começou a formar o esquadrão andreense de 1974. Para o comando técnico foi chamado Pacau que apostou em um time jovem, mas experiente com nomes como Ulisses, Luiz Augusto, Celso Mota, Tadeu, Giba e Fernandinho. Nessa época marcada pela formação do time Andreense, foi marcado para o dia 10 de março um amistoso contra a equipe do Velo Clube no estádio Bruno José Daniel. O jogo marcaria a estréia de um atacante que havia se destacado nas seleções amadoras de Santo André e com passagens pelos juvenis do Santos e do Atlético de Carazinho. O centroavante Tulica, o maior artilheiro da história do Santo André.

Tulica já impressionou no coletivo, marcando dois gols e sendo o destaque do treinamento, juntamente com Bodinho, um ponta de lança vindo de Araçatuba.

Do lado do Velo Clube o destaque era o centroavante Ditão. O jogo mostrou um Santo André eficiente. Rodolfo anulou a força ofensiva do Velo Clube e se transformou no melhor em campo. O que realmente marcou esse jogo foi quando, aos 22 minutos do primeiro tempo Tulica recebeu de Vicente, fintou com o corpo o zagueiro Ercilio e da entrada da área chutou forte para marcar o gol único da tarde da vitória do Ramalhão pelo placar mínimo.

Assim o grande herói Alberto Soares de Araujo, ou simplesmente Tulica começava a escrever uma história de 63 gols com a camisa do Santo André, se transformando no maior artilheiro da história do Santo André e o primeiro grande ídolo da torcida Ramalhina.

O Santo André jogou com Silva, Luizinho, Rodolfo, Tito e Luiz Augusto; Celso Cahimbo, e Ulisses; Celso Mota (Mané), Vicente, Tulica (Bodinho) e Nascimeto. O Velo Clube jogou com Renato, Celinho Ercílio, Klein e Cícero; Zé Roberto e Luiz Augusto; Maurilio, Valtinho, Dicão e Canhoto. A renda foi de 4.429 cruzeiros e o jogo foi arbitrado por Alfredo Gomes.

Marcelo Alves Bellotti